OLHAR PEDAGÓGICO

Olhar T


A analista de sistemas Juliana Magnini Baptista assina este espaço para promover uma reflexão sobre o uso da tecnologia no universo educacional.



A Criança e a Internet

Juliana Magnini Baptista
Analista de Sistemas


Inicialmente gostaria de chamar a sua atenção, caro leitor, para um assunto que está muito em questão hoje em dia. No mundo globalizado em que vivemos o convívio com novas tecnologias bate a nossa porta diariamente e nós muitas vezes assumimos um papel de espectadores, onde deveríamos ser protagonistas e devido a esse fato é que pergunto:

O que é a Internet? Muito mais do que um conjunto de redes digitais formado por milhões de computadores do mundo inteiro que estão interligados e permite o acesso e compartilhamento de informações de todo o tipo é também a responsável por definir padrões de comportamento. Dentre a variedade de recursos e serviços que ela possui destacam-se os correios eletrônicos, a comunicação instantânea, os dispositivos de busca, as redes sociais e o compartilhamento de arquivos.

Esta grande rede global é a responsável por permitir que pessoas do mundo inteiro comuniquem-se de forma mais rápida e eficiente proporcionando que qualquer pessoa publique ou consulte materiais e informações disponíveis na rede.

Crianças e adolescentes são beneficiadas quando usam os serviços da rede, porém podem se tornar alvos de crimes e explorações independentemente de localização geográfica e posição social. Na ânsia de explorar o mundo virtual acreditando estarem seguros e que nada lhes acontecerá, estes são por vezes induzidos a visitarem e consultarem sites cujo conteúdo é inadequado a sua faixa etária.

Assim como na sociedade o mundo digital é composto por todo tipo de pessoa, logo, a utilização da Internet nos apresenta alguns riscos. São eles:

* Quando a criança fica exposta a material inadequado que afeta seus princípios e valores;

* Quando uma criança fica vulnerável podendo fornecer informações ou marcar encontros que ponham em risco a sua segurança e a de outros familiares. Em alguns casos, pessoas mal intencionadas usam e-mails, chats e redes sociais (com perfis falsos e muitas vezes fazendo-se passar por criança ou adolescente) para ganhar a confiança e conseguir um encontro pessoalmente;

* Quando as conseqüências podem ser de cunho legal e financeiro, devido ao fato da criança ou jovem fornecer dados bancários ou de cartões de crédito de um familiar ou então realizar algo que viole os direitos de outra pessoa.

Proibi-los de usufruir deste tipo de tecnologia não é a solução para os problemas que vem ocorrendo e a fim de minimizar esse risco, os pais ou responsáveis devem tentar estar mais presentes quando seus filhos estiverem utilizando a Internet. Vale lembrar que manter um diálogo franco e aberto com as crianças e os adolescentes pedindo que mostrem o que fazem e como têm acesso aos serviços que utilizam, pode diminuir bastante os perigos potenciais de utilização da rede.

Algumas sugestões de segurança auxiliam este processo. São elas:

* Evite informar dados pessoais na Internet como: nome completo, endereço de casa, escola onde estuda, telefone, idade, estado civil ou informação financeira. Não disponibilize fotografias suas e das crianças em locais da Web cujo acesso é público. Não divulgue seu nome e e-mail em todos os portais públicos;

* Não permita que uma criança marque um encontro presencial com outro utilizador da rede sem a sua permissão e conhecimento;

* Nunca responda a mensagens insinuantes, obscenas, agressivas ou que lhe causem incomodo. Incentive as crianças a contarem se receberem mensagens deste tipo;

* Informe os seus filhos que não devem abrir nenhum endereço de site associado a um e-mail, caso venha de pessoas desconhecidas;

* Se alguém enviar para os seus filhos mensagens ou imagens indecentes e que você não consiga resolver este problema, entre em contato com a polícia e com o serviço de proteção a criança e ao adolescente mais próxima de sua casa;

* Na Internet nem tudo que nos é apresentado é necessariamente verdadeiro. Tenha muito cuidado com convites de desconhecidos que solicitem a sua presença em reuniões ou que sugiram a visita de alguém a sua casa ou ainda que lhe solicitem informações pessoais;

* Estabeleça limites e regras razoáveis às crianças sobre a utilização do computador e da Internet. Supervisione o cumprimento destes limites, especialmente o tempo que passam navegando na rede, pois o uso excessivo da Internet por uma criança, principalmente à noite, é o indício de que pode haver um problema potencialmente latente;

* Os computadores pessoais e a Internet não devem ser encarados pelos pais como uma “babáeletrônica” e por esse fato é orientado que seja colocado em um ambiente da casa muito utilizado pela família e que não permita o isolamento da criança ou adolescente. Conheça todos os amigos de seus filhos, principalmente os “virtuais”;

* Conheça os sites e ferramentas que o seu filho utiliza quando está conectado a Internet e saiba principalmente qual é o teor das conversas dele com os amigos;

* Tenha consciência que, mesmo que instale ou contrate um serviço de supervisão e controle de conteúdos, nem o melhor programa pode substituir a presença e orientação de um adulto.

Hoje em dia as invasões de computadores pessoais não são apenas uma brincadeira praticada por adolescentes, podem ser também uma ação realizada por quadrilhas especializadas. A melhor maneira de lidarmos com isso é a prevenção, ou seja, conversando sobre as vantagens, desvantagens e os perigos da Internet.

As mesmas regras e cuidados que os pais utilizam no mundo real em seu dia-a-dia com seus filhos também devem ser aplicadas a utilização da Internet. A autonomia e a privacidade devem ser preservadas, porém a participação e supervisão dos pais ou responsáveis são essenciais e indispensáveis.


(Publicado em 27/06/2011)



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